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“Despachante do Povo”: A Dupla Função do Vereador em Santo Antônio do Descoberto e a Crise de Criatividade Legislativa

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Na teoria, a função do vereador é nobre e simples: Criar Leis e Fiscalizar o uso do dinheiro público. Na prática, contudo, a realidade local parece ter remodelado esse conceito para algo bem mais… pragmático.

Observadores apontam que, diante da aparente falta de inspiração para criar leis “relevantes” e de uma certa aversão à fiscalização do Executivo (que exigiria “garantir legalidade e transparência” – que trabalheira!), a maioria dos vereadores adota a eficiente função de “despachante do povo”.

A lógica é simples e baseada na troca de favores: o voto dado é pago em serviços imediatos. As demandas que chegam aos gabinetes não são sobre o Plano Diretor ou Orçamento, mas sobre a vida real e urgente do eleitor:

“Minha lâmpada queimou, Excelência, pode mandar trocar?”

“Um jeitinho na vaga do Colégio Militar para o meu filho.”

“Um emprego na prefeitura ou naquela empresa contratada, para ontem!”

Nossas “Excelências Legislativas” não param por aí. Se a cidade tem um deputado parceiro, a fonte de benesses se multiplica. Os vereadores viram verdadeiros “caça-talentos” para a Assembleia Legislativa Estadual, conseguindo empregos para parentes e amigos na base aliada. Na prefeitura, o poder de indicação é vasto: diretores, secretários, auxiliares e chefes em diversos setores, públicos e até privados que têm contratos com o município.

Apesar de todas as “regalias”, a sede por cargos e influência parece insaciável. O resultado é a constante busca por mais “bezerros para mamar na vaca leiteira chamada prefeitura”, numa analogia deliciosa que explica o funcionamento do Legislativo local.

Resta ao cidadão decidir se prefere um fiscal rigoroso e um criador de leis futurista, ou um “despachante” que resolve a lâmpada queimada do vizinho. Afinal, a burocracia do Legislativo é complexa, mas a da lâmpada, não!