Marconi Perillo volta às urnas e reacende memória de promessas não cumpridas no Entorno
A volta de Marconi Perillo ao cenário eleitoral de Goiás traz consigo uma pergunta que merece ser feita, especialmente em Santo Antônio do Descoberto: qual memória o eleitor tem dos anos em que ele esteve à frente do Governo de Goiás?
Mais do que discutir discursos atuais ou novas promessas de campanha, é necessário olhar para aquilo que aconteceu quando Marconi teve a oportunidade de governar o Estado.
E, para Santo Antônio do Descoberto, um dos capítulos mais emblemáticos está na saúde.
O Hospital de Santo Antônio do Descoberto é um exemplo de uma obra que atravessou anos entre anúncios, retomadas e expectativas da população.
Embora a construção tenha origem anterior e não tenha começado no Governo Marconi, o Estado de Goiás assumiu, em 2013, a responsabilidade pela conclusão da unidade. A partir daquele momento, o governo estadual passou a ter participação direta no destino daquela estrutura tão aguardada pelos moradores.
Mesmo assim, os anos seguintes foram marcados por novos anúncios.
Em março de 2017, o próprio Governo de Goiás informou que seria necessária uma nova licitação para a conclusão do hospital. Poucos meses depois, outra divulgação oficial anunciava novamente a retomada das obras.
Naquele mesmo período, o governo divulgava a expectativa de concluir até o final de 2018 os hospitais de Santo Antônio do Descoberto e de Águas Lindas.
Marconi Perillo deixou o Governo de Goiás em abril de 2018.
E o hospital de Santo Antônio ainda não estava concluído.
Em maio daquele ano, já sob o governo de José Eliton, uma nova vistoria às obras voltou a ser divulgada e novamente surgiu a promessa de inauguração.
É difícil encontrar uma imagem que represente melhor a frustração de parte da população do Entorno: uma estrutura essencial para a saúde pública passando de anúncio em anúncio enquanto moradores continuavam dependendo de outros municípios e do Distrito Federal para diversos atendimentos.
E Santo Antônio não foi um caso isolado.
O Hospital Regional de Águas Lindas também acumulou anos de expectativas. O Estado assumiu a responsabilidade pela unidade em 2013. Em 2015, Marconi anunciou a retomada imediata das obras. Em 2016, o governo informava que mais de 60% da construção estava concluída e trabalhava com previsão de entrega no ano seguinte.
A história, porém, se prolongou muito além daquele governo.
Esses fatos não significam que nenhuma obra ou investimento tenha chegado ao Entorno durante as administrações de Marconi Perillo. Seria incorreto afirmar isso.
Em Santo Antônio do Descoberto, por exemplo, houve entregas como o Itego Sarah Kubitschek e uma Escola Padrão Século XXI, além de investimentos e intervenções estaduais em outras áreas.
Jornalismo sério exige reconhecer esses fatos.
Mas reconhecer aquilo que foi realizado não apaga aquilo que ficou pelo caminho.
E é exatamente por isso que a volta de Marconi Perillo às urnas merece provocar uma reflexão mais profunda no eleitor do Entorno.
Depois de quatro mandatos como governador de Goiás, não estamos diante de um político desconhecido pedindo ao eleitor uma primeira oportunidade. Estamos falando de alguém que já teve anos de poder, orçamento público, estrutura administrativa e condições políticas para deixar sua marca no Estado.
Por isso, sua trajetória pode — e deve — ser analisada pelo que efetivamente entregou.
Em Santo Antônio do Descoberto, essa discussão ganha uma dimensão ainda mais interessante.
Como explicar que, depois de tantos anos de promessas, anúncios e obras que atravessaram governos, ainda existam lideranças políticas locais dispostas não apenas a apoiar Marconi Perillo, mas a subir em palanque e pedir novamente o voto da população para ele?
É legítimo apoiar qualquer candidato. A democracia garante esse direito.
Mas também é legítimo — e necessário — perguntar.
Quem hoje pede voto para Marconi em Santo Antônio do Descoberto está disposto a explicar para a população qual foi o legado deixado por seus governos na cidade?
Está disposto a falar sobre o hospital?
Está disposto a comparar aquilo que foi anunciado com aquilo que efetivamente foi entregue?
E, principalmente, está disposto a explicar por que acredita que o eleitor deve novamente confiar seu voto a quem já teve quatro oportunidades de governar Goiás?
A eleição não deveria ser apenas uma disputa de jingles, carreatas, fotografias e alianças políticas.
Ela também deveria ser um exercício de memória.
Porque campanha eleitoral é feita de promessas.
Gestão pública é medida por resultados.
E talvez a pergunta mais importante para Santo Antônio do Descoberto nesta eleição não seja o que Marconi Perillo promete fazer daqui para frente.
Talvez seja outra:
O que ele fez por Santo Antônio do Descoberto quando teve a oportunidade de fazer?
E quem hoje pede voto para ele na cidade precisa estar preparado para responder.